sexta-feira, 17 de abril de 2009

O Tarô e os Elementos

Os antigos conceberam o fogo, a água e o ar como elementos puros.
Eles foram relacionados com as três qualidades de ser, conhecimento e bem-aventurança. Também se correspondem com o que os hindus chamavam as três gunas - sattvas, rajas e tamas -, que podem traduzir-se aproximadamente por calma, atividade e obscuridade inerte. Os alquimistas tinham três princípios semelhantes de energia dos quais se compõem todos os fenômenos existentes: enxofre, mercúrio e sal.
Esse enxofre é a atividade, energia, desejo; o mercúrio é fluidez, inteligência, o poder de transmissão; o sal é o veículo dessas duas formas de energia, mas possui em si mesmo qualidades que se relacionam a elas.
O leitor deve ter bem presentes, todas as classificações tripartidas. Em alguns casos, um grupo será mais útil que outro. No momento, concentraremo-nos na série fogo, água, ar.
Esses elementos estão representados no alfabeto hebraico pelas letras shin, mem e aleph. Os cabalistas chamam-nas as três letras mães. Neste grupo em particular, os três elementos envolvidos são formas completamente espirituais de energia pura; podem manifestar somente com experiência sensorial ao incidir nos sentidos, ao cristalizar em um quarto elemento ao que chamam “Terra”, representada pela última letra do alfabeto, o TAU. Esta é, pois, outra interpretação inteiramente diferente da idéia de filha, que aqui se considera como um apêndice do triângulo. É o número Dez.
Devemos ter em mente, simultaneamente, estas duas interpretações. Os cabalistas, depois de
inventarem o Tarot, procederam a fazer ilustrações dessas idéias abstratas do pai, a mãe, o filho e a filha, e as chamaram de Cavaleiro, Rainha, Príncipe e Princesa. Às vezes, aos Príncipes e Princesas se chamam de “Imperador” e “Imperatriz”.
A razão dessa confusão está relacionada com a doutrina do Louco do Tarot, o legendário Errante que ganha a filha do Rei, lenda que está conectada com o plano antigo e extraordinariamente sábio de eleger o sucessor do rei baseado na habilidade de que para ganhar a filha do rei é necessário vencer a todos os competidores. (A Rama Dourada de Frazer é uma autoridade no tema).
Para o nosso baralho (Tarot de Crowley), acreditou-se ser mais conveniente adotar os termos “Cavaleiro”, “Rainha”, “Príncipe” e “Princesa” para representar a série pai, mãe, filho, filha, pois a doutrina implicada, que é altamente complexa e difícil, assim o requer. O pai é o “Cavaleiro” porque aparece representado a cavalo. Pode ser esclarece dor descobrir os dois principais sistemas, o hebraico e o pagão, como se fossem (e sempre o foram) sistemas concretos e diferentes.
O sistema hebraico é direto e irreversivel; postula ao pai e a mãe de cuja união nasce o filho e a filha. E aqui termina. Somente após especulação filosófica posterior é que se encarregou de derivar a díade Pai-Mãe da unidade manifesta, e quem ainda mais tarde buscou a fonte dessa unidade no Nada. Este é um esquema concreto limitado e tosco, com seu princípio sem causa e seu estéril final.
O sistema pagão é circular, autogerado, auto-alimentado, autorenovado. É uma roda em cuja borda estão pai-mãe-filho-filha; eles se movem ao redor do eixo imóvel ou zero; unem-se à vontade; transformam-se um no outro; para a órbita não há princípio nem fim; nenhum é superior ou inferior. A equação (Zero=Muitos=Dois=Um=Todos=Zero) está implícita em todas as modalidades de existência do sistema.
Ainda que isso seja tão complexo, conseguiu-se ao menos um resultado muito desejável: explicar por que tem o Tarot quatro cartas com figura, não três. Isso explica porque há quatro naipes. Os quatro naipes chamam-se: “Paus”, atribuído ao fogo; “Copas”, atribuído à água; “Espadas”, atribuído ao ar; “Ouros” (“Moedas” ou “Pantáculos”), à terra. O leitor advertirá esta interação e reciprocidade ao número quatro. É também importante que advirta-se que até mesmo na ordenação décupla, toma parte o número quatro. A Árvore da Vida pode ser dividida em quatro naipes: O número 1 corresponde ao fogo; os números 2 e 3, à água; os números 4 a 9, ao ar; e o número 10, à terra. Essa divisão corresponde à análise do Homem. O número 1 é sua essência espiritual, desprovida de qualidade ou quantidade; os números 2 e 3 representam seus poderes criativos e transmissores, sua virilidade e sua inteligência; os números 4 a 9 descrevem suas qualidades mentais e morais concentradas em sua personalidade humana; o número 6 é, por assim dizer, uma elaboração concreta do número 1; e o número 10 corresponde à terra, que é o veículo físico dos nove números prévios. Os nomes destas partes da alma são: 1 Jechidah; 2 e 3 Chiah e Neschamah; 4 a 9 Ruach; 10 Nephesch..
Estes quatro planos correspondem também aos denominados “Quatro Mundos”, para entender a natureza das quais devemos nos remeter, com todas as devidas reservas, ao sistema platônico. O número 1 é Atziluth, o Mundo Arquetípico; mas o número 2, como aspecto dinâmico do número 1, é a Atribuição Prática. O número 3 é Briah, o Mundo Criativo em que toma forma a vontade do pai através da concepção da mãe, do mesmo modo que o espermatozóide, ao fecundar o óvulo, faz possível a produção de uma imagem de seus pais. Os números 4 a 9 incluem a Yetzirah, o Mundo Foraaivo, no qual se produz uma imagem intelectual, uma forma apreciável da idéia; e esta imagem mental se faz real e tangível no número 10, Assiah, o Mundo Material.
Por meio de todas essas atribuições confusas (e às vezes aparentemente contraditórias), com uma paciência inesgotável e uma energia pertinaz, se chega finalmente a uma compreensão lúcida, a uma compreensão que é infinitamente mais reveladora do que o que poderia ser qualquer interpretação intelectual.
Este é um exercício básico no caminho da iniciação. No caso de que fosse um racionalista superficial, seria muito fácil encontrar defeitos em todas essas atribuições e hipóteses semi-filosóficas; mas também é muito fácil demonstrar matematicamente que é impossivel golpear uma bola de golf.


(...) Convém examinar agora as relações dos sephiroth entre si. Adverte-se que para completar a estrutura da Árvore da Vida empregam-se 22 linhas. (...) Assinalaremos que, em certos aspectos, a forma como estão desenhados os sephiroth parece arbitrária. Curiosamente, há um triângulo equilátero, composto pelos números 1,4 e 5, que poderíamos considerar uma base lógica para as operações da filosofia. Sem dúvida, não há linhas que unam o 1 ao 4, o 1 com o 5. Isto não é casual. Em nenhum lugar da figura aparece um triângulo equilátero com o vértice para cima, se bem que há três triângulos equiláteros com o vértice para baixo. Isto se deve à fórmula original “Pai, Mãe, Filho”, que se repete três vezes em escala descendente de simplicidade e espiritualidade. O número 1 está por cima desses triângulos, pois constitui uma integração do Zero e abaixo do tríplice véu do negativo.
Pois bem, os sephiroth, que são emanações do número 1, como já se disse, são coisas em si mesmas, em um sentido quase kantiano. As linhas que os une são forças da natureza de um tipo muito menos completo; são menos abstratas (...).

Significado dos Arcanos Maiores - 0 - O LOUCO



“Sabe nada!
Todos os caminhos são lícitos para a inocência.
Pura loucura é a chave para a iniciação.
O silêncio irrompe o êxtase.
Nem homem nem mulher, mas ambos em um.
Não fala, Bebê vestido de azul celeste, para que
possas crescer para portar a Lança e o Graal!
Vagar sozinho, e cantar! No palácio do Rei
Sua filha o espera.”
Crowley

Caminho – 11.º Caminho (Chokmah-Kether)
“O Décimo Primeiro Caminho é a Inteligência Cintilante porque é a essência dessa cortina que situa-se próxima à ordenação das coisas, e é uma dignidade especial dada a ele que seja capaz de encontrar-se diante da face da causa das coisas.”

Aleph – A Verdade, o riso, a lascívia:
“O Santo Louco do Vinho! O Véu rasgado e a Loucura sensual são a sublime iluminação.”
A letra Aleph é o primeiro som que o ser humano articula e a primeira letra do alfabeto, exprimindo a idéia de unidade e do princípio; designa a causa, a força, a atividade; o poder e a estabilidade; o homem como unidade coletiva.
É a primeira das letras mães, e é representada por um boi.
Por ser a carta número zero, ou melhor, sem número, esta carta situa-se acima da Árvore da Vida, origem de todas as coisas. E como na realidade ela não tem número definido, esta carta pode estar em qualquer lugar sempre se sentindo à vontade.
A carta do Louco representa os heróis das sagas, aquele a quem ninguém dá valor algum e de repente se transforma em herói; quando tudo está perdido ele aparece e resgata. Aquele que redime os pecados, vai trazer tudo o que é puro de volta, não tem a mesma noção de realidade que a nossa, pois o Louco tem uma liberdade absoluta, uma liberdade extrema no sentido mais positivo, portanto nossa estreiteza de visão impede que nos libertemos do mundo. O Louco é aquele que realiza o que normalmente é temido pelas demais pessoas. O Louco vive dentro de cada um de nós, e a medida que ficamos chocados quando vemos alguém que vive o papel de Louco como sendo uma realidade, esse choque é causado muitas vezes não pela loucura, mas pelo fato de que outra pessoa está vivendo um papel que gostaríamos que fosse nosso.
O ar, simbolizado por esta carta, é o que se refere a um dos quatro elementos da Grande Obra, a
alquimia, e pode ser interpretado como o intelecto, a razão, para a qual não existe barreira, e eis aqui o porque deste elemento ser atribuído ao Louco: pelo simples motivo de que para a liberdade do ar não existem barreiras, assim como não existem limites para a mente o as obras de um Louco.
Num lado negativo, pode representar a desestrutura causada pelo excesso de liberdade. Quando não se sabe usar aquilo que se tem, ele pode tornar-se elemento de desarmonia e motivo de confusão.
Esta carta demonstra que a pessoa deixa passar tanta coisa que, em pouco tempo se perde, não restandomais o que fazer, perdendo sua própria individualidade.
Significado Simbólico
Figura de um louco: Loucura, despreocupação
Traje verde: Vitalidade, frescor
Chifres e cristal: Alegria de viver, conexão com Todo
Solas das botas direcionadas para cima: Leveza
Cálice na mão direita emborcado para baixo, fogo na esquerda: União de opostos (cálice = Elemento
Água)
Uvas: Mel da vida, êxtase
Arco-íris, que circunda a cabeça: Ponte entre céu e a terra, êxtase da consciência
Três espirais ovais e circulares ligadas umas às outras: Potencial evolutivo em três planos
Espiral com crocodilo e tigre: Forças arcaicas, natureza instintiva
Espiral com laço em forma de coração: O nível mais alto e sublime do coração
Espiral com crianças gêmeas e flor azul: Natureza alegre e ingênua, despreocupação paradisíaca
Pomba, abutre (asa azul), sol alado e borboleta: Símbolos de transformação que representam os ciclos de vida e morte
Sol no chacra básico: Potência criadora
Ouros com símbolos astrológicos: Materialização dos princípios originais
Cabala: Aleph: Boi, relha do arado
Astrologia: Elemento Ar: Leveza, despreocupação
ASPECTOS GERAIS: Potencial original, caos criativo, despreocupação. novo começo, partida para desconhecido, liberdade concedida pela loucura. leviandade.
VIDA PROFISSIONAL: Começar do zero, brincar com as mais diversas possibilidades, pausa produtiva, estar aberto para novas atividades, inexperiência profissional, planos caóticos, falta de responsabilidade.
PLANO DA CONSCIÊNCIA: Tornar-se consciente da abundância quase ilimitada de suas possibilidades, fazer um brainstorming.
RELACIONAMENTO: Vontade de curtir a vida, descontração, paquera, convivência afetuosa, encontro novo e revigorante, relacionamento aberto, experimentar.
ENCORAJA A: Experimentar algo novo de uma forma descontraída e divertida.
ALERTA SOBRE: Circunstâncias caóticas e frivolidade exacerbada.

Obs.: As cartas deste estudo serão apresentadas na sequência, portanto, ao visitar a página, cheque a sequência abaixo.

I - O MAGO

“O Verdadeiro Eu é o sentido da Vontade Verdadeira; conhece-te através do teu Caminho. Calcula bem a Fórmula do Caminho. Cria livremente; absorve com ciúme; divide com intensidade. Consolida completamente. Trabalha-te, Onipotente, Onisciência, Onipresença, na e para a Eternidade.”
Crowley

Caminho – 12.º Caminho (Binah-Kether)
“O Décimo Segundo Caminho é a Inteligência da Transparência porque é essa a espécie de magnificência chamada Chazchazit, o lugar de onde surge a visão dos que vêem as aparições.”

Beth – A palavra da sabedoria tece o tear das mentiras. Um infinito irredutível.
A letra Beth designa o interior e o ativo; o poder plasmante, o germe, a paternidade, o criador, a
habitação, o objeto central.
Pessoa centrada, buscando grande autodomínio. Controla as pessoas pela fala dos encantamentos, da força da vontade.
Mercúrio rege a superficialidade.
O cetro representa a profunda consciência, o poder, é o tripé do Mago. Com os dois pés apoiados no chão, o Mago busca o equilíbrio na terceira ponta, o conhecimento. O anel do dedo indicador tem o mesmo valor do cetro ou cajado. O cajado de Merlin representa seu equilíbrio, seu insight, o manancial de sabedoria.
A leminiscata representa a eternidade, a tentativa de dominar e vencer o tempo.O Mago representa a busca do aperfeiçoamento, o aprendizado nos primeiros contatos com o mundo.
Busca do conhecimento de si mesmo. Tentativa de evoluir e crescer pela comunicação. Busca para si mesmo e não para os outros. Busca muitas coisas e não se aprofunda, mas quando encontra é pra valer.
Na mitologia egípcia, Toth era acompanhado por um babuíno, que tinha como principal função servir de ligação entre os homens e o deus. Mas, ao passar a mensagem divina, o babuíno mudava a mensagem, deixando-a confusa e sem sentido, muitas vezes até mesmo mentindo. O simbolismo por trás disso é a necessidade de se descobrir a verdadeira mensagem oculta por trás daquela que nos foi transmitida. O Mago, muitas vezes atua da mesma forma, ou seja, ele transmite a coisa velada, sem sentido, para que nós busquemos a verdade por trás do que foi dito. Revelar, velando...
O Mago representa as formas de comunicação, sejam escritas, faladas ou apenas visuais. A necessidade de troca de informações é talvez, a principal característica do Mago. É por meio dela que ele consegue realizar seus encantamentos.
O Tarot de Crowley possui três “Magos”. Embora a explicação comum seja a de que eram três
experimentos para que uma fosse escolhida no final, ou ainda, que os três representam o Mago Branco, o Negro e o Transcendente, poderíamos explicar muito melhor de uma outra forma análoga e mais clara para o leigo.
Crowley não deixou nenhuma explicação sobre os outros desenhos das cartas do Mago. A explicação dada a seguir não deve ser confundida com possíveis explicações derivadas de Crowley ou quem quer que seja, além do autor.
O primeiro Mago, não seria necessariamente um Mago, mas um Mágico, um embusteiro.
Representa aqueles que ao visualizar uma pequena parte do conhecimento que poderão atingir, já vão se utilizando dos pseudo-poderes adquiridos para tentar iludir os outros e conquistar a sua admiração. É o tipo de sabedoria muito utilizada pelos camelôs, embusteiros em geral e por muitos “místicos” da atualidade, que nada mais sabem do que aquilo que decoram. É também o lado inferior de Mercúrio, o conhecimento superficial e mal utilizado. A sua principal característica é acreditar que a magia pode ser aprendida com pouco esforço e que basta uma ou duas velas e o problema está resolvido. Não está preocupado com a iluminação ou com a Grande Obra e sim consigo mesmo. Busca brilho pessoal ao invés de ser resignado. A sua posição, lembrando uma suástica, indica que ele está iniciando no caminho da verdade. É o movimento que indica sua evolução, embora de forma ainda precária.
O segundo Mago, é a evolução da carta anterior. Atrás da figura do Mago está uma grande sombra, que representa a nossa consciência. Representa aquele que foi tragado por seus próprios erros e agora busca uma maior iluminação. É capaz de realizar alguns prodígios, mas não o faz, pois agora tem consciência do grau de risco que é envolver-se com a magia sem estar devidamente preparado. Este é o grau mais alto que as pessoas comuns podem atingir. É o mesmo grau a que chegam o monges tibetanos e os grandes iniciados. Representa o Caminho da Espada Flamejante.
O terceiro Mago, o chamado transcendente, representa o lado mais elevado do conhecimento humano, e pertence ao mundo espiritual. É por isso que o Mago comum não consegue atingir este ponto, pois não é mais físico. Representa o Caminho da Serpente da Sabedoria.
A principal diferença entre esses dois últimos é o grau de envolvimento com o conhecimento adquirido.
O primeiro representa a grande maioria dos estudantes do misticismo, que fazem do conhecimento oculto pouco mais que um passatempo. O segundo representa os mestres do ocultismo e aqueles que fazem do ocultismo sua vida, não como profissão, mas como caminho de desenvolvimento e busca por algo que supera a própria busca. É a verdadeira transcendência.
Com relação à altura do caduceu do segundo Mago: realmente, Crowley nos mostra uma imagem com o caduceu na altura dos genitais (indicando o controle mágico da Kundalini) isso não tem nada a ver com forças inferiores/superiores (isso é muito mais influência judaico-cristã que a tudo tem que atribuir bem/mal, céu/inferno, e coisas assim) mas com forças telúricas, que são as forças complementares da energia magnética. É a força que emana da terra, assim como temos também as forças que vêm dos cosmos (como por exemplo, a influência dos planetas).
Sobre a sombra atrás do segundo Mago:
Segundo a mitologia egípcia, Thoth era acompanhado por um babuíno ou cinocéfalo (que quer dizer cabeça de cão). Quando ele precisava dizer algo ao ser humano, quem trazia a mensagem era o cinocéfalo que, no intuito de confundir o ser humano (cumprindo um papel luciferiano de tentar induzir o homem ao erro, e de ensinar pelo erro, ou pela sombra, como é próprio do Portador da Luz=Lúcifer), dava a mensagem trocada ou cifrada. O macaco/babuíno/cinocéfalo representa a função imitativa do ser humano, de fazer as coisas automaticamente, sem pensar, função essa atribuída à Lua, que rege, por exemplo, o folclore, onde se preservam antigos ritos sem saber seu real significado (alguém lembra por exemplo na festa de São João, a brincadeira do pau de fita? É um ritual de fertilidade). Por isso, fiz a associação dele com a consciência do segundo Mago, e a percepção dos próprios erros. Em tempo: o cinocéfalo é a figura atrás do mago, a dita "sombra".
Já no mago chamado Transcendente, a figura do cinocéfalo está solta na carta, como que arremessada para trás pela força emanada dos pés de Thoth Hermes, onde não pode mais oferecer risco algum de má interpretação das energias recebidas pelo mago, sejam elas telúricas ou cósmicas/planetárias.
Logo, podemos dizer que o babuíno é a peça que confunde nossa percepção do universo que nos rodeia.
É o que impede nosso contato com o Sagrado. Mas, o verdadeiro Mago sabe como distinguir o certo do errado e resolve todas as charadas do companheiro de Thoth Hermes.

Aquarela original de O Mago do Prestidigitador por Lady Frieda Harris
Significado Simbólico
Malabarista que se equilibra na montanha do inconsciente: Concentração e destreza intelectual inspirada
Tornozelo com par de asas: Conhecimento que dá asas (Hermes/Mercúrio)
Caduceu que vem das profundezas, com disco solar alado sobre a cabeça: A força solar mental mais elevada, que ascende do inconsciente, consciência da totalidade
Triângulo lilás-claro: Transcendência translúcida
Fazer malabarismo com os Quatro Elementos: Leveza, segurança nas suas relações com a realidade
Moeda: Elemento Terra = ação
Espada: Elemento Ar = intelecto
Tocha: Elemento Fogo = força de vontade
Cálice: Elemento Água = sentimento
Ovo alado: Quinto Elemento = Quintessência
Cetro com cabeça de fênix: Poder, força auto-regeneradora
Flecha voando: Sede de conhecimento
Pergaminho: Ciência
Macaco ameaçador: Natureza instintiva, impulsividade
Cabala: Beth = Casa
Astrologia: Mercúrio = Habilidade, inteligência
ASPECTOS GERAIS: Impulso inicial, atividade, poder de resolução, força de
vontade, concentração, vitalidade, maestria, auto-realização, capacidade de imposição,
destreza, perspicácia.
VIDA PROFISSIONAL: Tomar iniciativa, realizar tarefas com maestria, demonstrar
concentração e habilidade, ter êxito, passar em provas, negociar com agilidade e
esperteza, ludibriar os outros.
PLANO DA CONSCIÊNCIA: Conscientização profunda, penetrar no consciente da
totalidade.
RELACIONAMENTO: Fascinação, força de atração, solucionar problemas com
competência, dar primeiro passo, aceitar a si e aos outros.
ENCORAJA A: Confiar em suas próprias capacidades e solucionar uma situação com
habilidade.
ALERTA SOBRE: Querer forçar algo a todo custo.

II - A SACERDOTISA

"Pureza é viver apenas para o Maior; e o
Maior é Tudo; sejas tu como Artemis para Pan.
Leia-te no Livro da Lei, e abra caminho
através do véu da Virgem.”

Crowley

Caminho -13.º Caminho (Tifareth-Kether)
“O Décimo Terceiro Caminho é chamado a Inteligência Unificadora, e é chamada assim porque ela mesma é a essência da glória; é a consumação da verdade das coisas espirituais individuais.”

Gimel – Pureza. A mãe, donzela lunar, companheira, esposa de Pan, o Anjo-Ministro de Deus para cada homem.
A letra Gimel é o sinal do organismo, expressão de envolvimento material do corpo, seus órgãos e suas funções.
Um aprofundamento da carta do Mago. Poder de sedução; poder de mudar o mundo por meio da fala, auto-ilusão. É o símbolo da paciência; representa também as ilusões, a capacidade de magnetizar e influenciar as pessoas, de tocar sua alma.
Se estou em dúvida em relação a alguma coisa e sai a carta da Sacerdotisa em uma jogada, é uma questão de tempo. Deve -se esperar um pouco que a verdade já aparece. É um sinal de alerta. É
como diz o velho dito popular: “Quando a esmola é demais o santo desconfia”.
A intuição ou um conhecimento adquirido por acúmulo. É o conhecimento que se recebe após um longo e paciente estudo, onde o importante é o empenho e não a quantidade de conhecimento adquirida.
A verdade é um aprendizado pela experiência. Esta carta representa o mundo das sensações e a falta de confiança nos sentidos. Mostra o mecanismo de encantamento que o mago realiza em busca da perfeição. O livro que ela porta representa o conhecimento que já foi adquirido. Maior objetividade; passagem da teoria para a prática. As colunas a seu lado representam os dois lados existentes, o material e o espiritual, não como complementos, mas como reflexos um do outro. As duas colunas são representadas no Livro dos Mortos egípcio como uma no mundo físico e outra no Duat, o mundo inferior, sendo uma branca e outra negra, sem distinção de valores ou significados, e nem oposição. Mas como reflexos, ou seja, o que é atribuído a um é atribuído a outro do mesmo modo.

Significado Simbólico
Figura feminina coberta com um véu: Mistério, sabedoria oculta, inconsciente
Arco, curvado em forma de trompas de Falópio: Fertilidade, energia procriadora
Arco, que ao mesmo tempo é um instrumento de cordas: Força inspiradora, sedução, aliciação
Arco e flecha como arma: Proteção contra intrusos indesejáveis
Véu prateado com textura quadriculada: Feminilidade em estado puro, encobrimento do mistério, padrão de sentimentos
Coroa de raios de luz em forma de meias-luas voltadas para cima: Disposição receptiva, chave para a verdade, conhecimento intuitivo
Sete meias-luas e coroa lunar: Sete esferas planetárias, que conduzem à visão do supremo
A lemniscata (oo) na frente dos olhos: Contemplação do Eterno
Flores, frutos, cristais, camelo: Fertilidade, abundância, mundo das estruturas, matéria
Cabala: Gimel = Camelo
Astrologia: Lua = Inconsciente, ânimo, premonição, sonho, sagacidade

ASPECTOS GERAIS: Guia interior, sabedoria, intuição feminina, visões, fantasia, mistério, disposição passiva, ser guiado.
VIDA PROFISSIONAL: Atividades terapêuticas, aptidão mediúnica e inspiradora, segurança instintiva.
PLANO DA CONSCIÊNCIA: Compreensão da mensagem dos sonhos, profundidade, vivenciar experiências espirituais.
RELACIONAMENTO: Atração profunda, união espiritual, compreensão, confiança mútua, deixar-se encontrar, disposição passiva.
ENCORAJA A: Confiar na sua voz interior.
ALERTA SOBRE: Deixar-se levar passivamente e simplesmente esperar por um milagre.

III - A IMPERATRIZ


“Esta é a Harmonia do Universo, onde o Amor
une a Vontade de criar com a Compreensão
da Criação: entende tuas próprias Vontades.
Ama e deixa amar. Regozija-te em toda forma de amor,
e obtém êxtase e teu alimento disso.”
Crowley

Caminho – 14.º Caminho (Binah – Chokmah)
“O Décimo Quarto Caminho é a Inteligência Iluminadora, e é assim chamada porque é esse Chasmal (entidade resplandecente) que é o fundador das idéias de santidade ocultas e fundamentais, e de suas etapas de preparação.”

Daleth – Vênus - Beleza, exibe teu império! Verdade além do alcance do pensamento: A totalidade do mundo é
o amor.
A letra Daleth denota a natureza divisivel, abundância, divisão, nutrição.
É a solidificação do conhecimento adquirido pelas cartas anteriores de uma maneira mais lenta. Significa paciência, trabalho, boas decisões. É a imposição aliada à delicadeza. Foi a Imperatriz irmã do Faraó quem retirou Moisés das águas. É o carinho necessário ao governante para um bom reinado.
Lei do Triângulo (poder, vontade e manifestação). Representa todo o trabalho necessário para se auto-afirmar e também o conhecimento por meio da experiência. Processos lentos com muito esforço . Misto de carinho, maternidade, sensualidade e ciúme . Representa um lembrete: hora de começar a trabalhar.
Benevolência, paciência, sabedoria da idade, estabilidade. Falar com autoridade de mãe, sacrifício em prol de algo maior.
No Tarot de Crowley, aparece o símbolo do pelicano que morde o próprio peito, alimentando com seu
próprio sangue suas crias, ilustração que representa o 18.º grau da Maçonaria do Rito Escocês Antigo e Aceito, o grau de Cavaleiro Rosacruz. Este símbolo é o que vai designar a essa carta o auto-sacrifício.

Significado Simbólico
Figura de uma mulher trajada com um vestido verde e rosa, com uma coroa lunar verde e uma cruz que simboliza a soberania: Mãe Natureza, união com a terra, soberania terrena
Cinto decorado com signos do zodíaco: Senhora das estações do ano
Colunas do trono em forma de chamas azuis: A água original, da qual surgiu a vida
Posição do tronco e dos braços: Símbolo alquímico do sal
Abelhas no traje cor-de-rosa: Dedicação, fertilidade, pureza
Meias-luas crescente e decrescente: Ciclo da vida de nascimento e morte
Cetro em forma de um lótus na mão direita: Criatividade feminina, vitalidade e beleza que desabrocham do colo feminino
Mão esquerda aberta: Receptividade, entrega
Pardal nas costas da Imperatriz: Sensualidade latente
Posicionamento e olhar para pomba: Caráter pacífico
Escudo com águia dupla branca: Consciência feminina lunar
Cabala: Daleth = Portal
Astrologia: Vênus = Sensualidade, abundância e deleite


ASPECTOS GERAIS: Crescimento, potencial criativo. força intuitiva, inovações,
gravidez, nascimento, solicitude.
VIDA PROFISSIONAL: Atividade criativa, boas chances de crescimento e
desenvolvimento, transformações profissionais, senso apurado para as tendências e
ciclos nos negócios, criação de novos conceitos, cuidar com carinho do que lhe foi
confiado.
PLANO DA CONSCIÊNCIA: Ter uma visão do eterno ciclo de nascimento e morte.
RELACIONAMENTO: Desenvolvimento intenso, sensualidade benéfica. profunda
confiança, aumento da família, proteção e aconchego. perspectivas novas e boas,
reativação de um vínculo antigo.
ENCORAJA A: Confiar na capacidade de crescimento da vida e estar aberto a
mudanças.
ALERTA SOBRE: Não se deixar levar por processos desenfreados e não desperdiçar
as oportunidades.

Chagal - Madonna of The Village

IV - O IMPERADOR




“Despeja água em ti mesmo: portanto, tu deves ser
uma Fonte para o Universo
Está presente em cada Estrela
Atinge todas as possibilidades.”
Crowley

Caminho – 28.º Caminho (Yesod-Netzach): “O Vigésimo Oitavo Caminho é chamado Inteligência Natural; por ela se completa e aperfeiçoa a natureza de tudo o que existe abaixo do Sol.”

Tzaddi – Áries - Pai e iniciador, imperador e rei de todos as coisas mortais, aclamado senhor da primavera.
A letra Tzade simboliza o pensamento fixo em algum propósito; vontade, ordem, sugestão, movimento
determinado para certo fim; termo, alvo, solução, cisão.
Tem autoridade para dizer com segurança: quero tal coisa. Aprendeu e está ciente do que aprendeu. Faz com que as coisas aconteçam por bem ou por mal. O Imperador não pede, ele ordena. Por ser uma carta à qual se atribui também o número quatro, vale apontar que o quadrado, que possui quatro faces, é a primeira figura geométrica estável.
Pessoa impulsiva. Lado positivo, sabe o que quer e faz acontecer; lado negativo, fala por falar (joga
conversa fora).
Quando sai esta carta é a hora das decisões. São decisões que devem partir do consulente, e não de outra pessoa. Se acaso está se questionando se deve ou não fazer algo, a carta do Imperador diz, do lado positivo, que deve-se fazer, mas, caso saia a carta no lado negativo é preciso tomar cuidado para não tomar decisões precipitadas.
A figura do Imperador como governante, lembra-nos que é necessário refletir sobre todas as decisões
para não colocar o reino em uma posição difícil, reino este que é representado pelo próprio consulente.
É também a carta atribuída ao signo de Áries, o carneiro, e que na mitologia grega, o deus Ares é o mais insano e infantil dos deuses, famoso por sua impulsividade e fragilidade, uma vez que a aparência de força que demonstra é apenas uma forma de se proteger de possíveis invasores (ver a carta n.º VII, O CARRO).
Significado Simbólico
Figura majestosa de um homem em trajes vermelhos bordados de dourado: Força, atividade, autoridade, magnificência, poder
Pernas cruzadas e, acima destas, braços e tronco formando um triângulo: Símbolo alquímico do enxofre,
energia masculina
Abelhas douradas no traje: Dedicação, senso de disciplina, realeza (atributo do Faraó)
Cetro com cabeça de carneiro: Legitimação de autoridade, poder e desejo de imposição, coragem
Globo imperial com Cruz de Malta: Poder consolidado, direito e disciplina como condições para paz e segurança
Coroa com diamantes: Cristalização da vontade e poder
Cabeças de carneiro: Alusão à associação dessa carta com Áries
Escudo com águia dupla: Consciência solar e masculina
Dois discos solares com estrelas: Retidão, continuidade
Cordeiro com bandeira da vitória: Vitória da humildade
Lírios dourados: Atributo do poder
Cabala: Tzaddi = Anzol
Astrologia: Áries = Capacidade de imposição, vontade
ASPECTOS GERAIS: Senso de realidade. disposição para assumir responsabilidades,
energia, segurança, continuidade, liderança, retidão de caráter, senso prático.
VIDA PROFISSIONAL: Estabilidade e estruturas claras, consolidação, realização de
planos, desenvolvimento de projetos com clareza, posição de liderança, disciplina e
perseverança, perfeccionismo.
PLANO DA CONSCIÊNCIA: Valorizar tanto estruturas organizacionais como
também raciocínio lógico e realista.
RELACIONAMENTO: Acordos claros, fundamento estável, estruturas no relacionamento
de eficácia já comprovada, relações ordenadas, realização de objetivos
comuns.
ENCORAJA A: Realizar intenções e planos com perseverança.
ALERTA SOBRE: O perigo de sufocar a vitalidade por causa de uma sobriedade e um
perfeccionismo exagerados.

V - HIEROFANTE


“Oferece-te Virgem ao Conhecimento e à Conversação do
teu Anjo da Guarda. Tudo o mais é uma armadilha. Sê
atleta com os oito membros da Yoga: pois,
sem esses, tu não és disciplinado para qualquer luta.”

Caminho – 16.º Caminho (Chesed – Chokmah)
“O Décimo Sexto Caminho é a Inteligência Triunfal ou Eterna, assim chamada porque é o prazer da glória, mais além da qual não há outra glória semelhante a ela, e é chamado também de Paraíso preparado para os retos.”
Vau – Touro - Concede a cada um segundo sua sabedoria deseja, mediante raios de luz, grande Hierofante!
Esta letra é como um nó que liga, ou um ponto que separa o ser e o não-ser. É o sinal convertível universal, que faz passar de uma natureza a outra. Pode ser vogal ou consoante; como vogal tem dois sons; A, que é sinal da luz espiritual, claridade e clareza, limpidez, brilho; e U, que é sinal do som e do ouvido. Vau é o símbolo do Verbo, isto é, da palavra interior, da luz do intelecto. Gramaticalmente, serve para verbalizar todas as raízes.
Ponderado, calmo, sábio, aprendeu pela sua própria experiência. Pessoa que sabe e não precisa se impor para mostrar que sabe, representa o aprendizado pela experiência. Essa carta marca um tipo de personalidade que não busca reconhecimento e sim conhecimento, experiência. É aquela pessoa que passa sua vida toda dedicada à pesquisa, muitas vezes em algum tema específico, outras em temas mais abrangentes. Mas o que conta não é o resultado, pois normalmente não cobiça um resultado. Sua vida é a própria pesquisa.
Faz papel de professor, aprende para ensinar, coisas realizadas com solidez.
Quando a carta do Hierofante aparece em uma jogada, ela mostra ao consulente que ele deve agir sem cobiçar o resultado, utilizando-se para isso da experiência adquirida em outros momentos de sua vida. A vida é um eterno aprendizado e, portanto, não devemos medir o que alcançamos, e sim apenas aprender. Não há medida para o conhecimento. A estabilidade e a tranqüilidade são as únicas manifestações visíveis dessa pessoa.
Significado Simbólico
Hierofante: Certeza da fé, sabedoria
Feições como se fossem uma máscara: Crenças enrijecidas, rituais mortos
Janela com pétalas de rosas: Transcendência translúcida
Serpente sobre a cabeça: Sabedoria, cura
Pomba: Espírito Santo, iluminação
Báculo com três anéis: Unificação do passado, presente e futuro
Três pentagramas contidos uns dentro dos outros:Incorporação do homem na estrutura cósmica
Osíris dentro do grande pentagrama: Atual Era de Osíris (De certa forma. pode-se transpor esses conceitos cunhados por Crowley para a Era do Matriarcado {Era de Ísis}. Era de Peixes {Osíris} e a Era de Aquário {Hórus} que está despontando)
Mulher com espada e meia-lua dentro do pentagrama do meio: A Era de Ísis," que existiu há mais de 2 mil anos
Hórus como criança dentro do pentagrama menor: O despontar da Era de Hórus
Quatro Querubins nos quatro cantos: Portadores do Altar Divino
Elefante e Touro: Perseverança, sensatez
Cabala: Vau = Prego
Astrologia: Touro = Tradição e solidez

ASPECTOS GERAIS: Confiança, busca da verdade, percepção do sentido das coisas,
força persuasiva, virtude, expansão da consciência, força da fé.
VIDA PROFISSIONAL: Atividade que tenha um sentido, seguir uma vocação. ética
de trabalho elevada, ensino, aperfeiçoamento, confiança nas próprias capacidades.
PLANO DA CONSCIÊNCIA: Passar por uma experiência profunda que leve à
compreensão do sentido das coisas, desenvolver confiança em Deus, ampliar sua visão
de mundo, exame de consciência.
RELACIONAMENTO: Confiança profunda, harmonia, declaração de amor,
princípios morais sólidos, reconhecer e estimar sentido e valor do relacionamento.
ENCORAJA A: Sair em busca de sentido e fazer algo significativo.
ALERTA SOBRE: Presunção arrogante e uma mania dogmática de sempre ter razão.

"hierophant" ilustração de Stephanie Pui-Mun

VI - Os Enamorados


“O Oráculo dos Deuses é a Criança-Voz do Amor
em sua própria Alma; escuta-a.
Não leva em consideração a Sereia-Voz do Sentido, ou a Voz-
Fantasma da Razão: mantém a Simplicidade, e ouve o Silêncio.”


Caminho – 17.º Caminho (Tifareth – Binah)
“O Décimo Sétimo Caminho é a Inteligência Disponível que leva fé aos justos, vestidos por ela com o Espírito Santo. É chamada o Fundamento da Excelência no estado das coisas superiores.”
Zain – Na verdade que a cada um se revela o entendimento, são palavras. É o vosso método, gêmeos e amantes imortais!
Esta letra designa a tendência, o esforço dirigido a um fim determinado, a causa final, a refração luminosa, a indicação.
Representa a opção de escolha na vida, a tentativa de achar o melhor caminho de chegar a algum lugar.
Tentativa de mesclar duas coisas em uma só, o que normalmente vai gerar alguma dificuldade. Tentativa de conciliar as duas coisas, unindo o útil ao agradável. Dentro da alquimia, vai ser representada pelo ar e pelo o fogo. O ovo alquímico representado na carta do Tarot de Crowley, na carta dos Enamorados, simboliza o poder de transformação do ser humano, poder de transmutação. A contraparte dessa carta, a carta da Temperança (XIV) é a que vai representar a transmutação o que já aconteceu. A Águia e o Leão aparecem agora com as cores invertidas.
As opções de escolha dadas por essa carta parecem ser de natureza trivial, porém, seu significado oculto pode se revelar mais tarde como sendo um desenrolar de algo maior ou, até mesmo, algo de suma importância, mas à qual, no momento, não foi dada a devida importância.
As escolhas nem sempre são realizadas da forma mais agradável, mas como normalmente são de natureza comum (ao menos aparentemente), essas escolhas não chegam a nos preocupar como deveriam.
Significado Simbólico
Rei negro com coroa de ouro e leão vermelho: Energia masculina consciente
Rainha branca com coroa de prata e águia branca: Energia feminina consciente
Criança negra com clava na mão: Masculinidade intrínseca e inconsciente
Criança branca com ramalhete de rosas na mão: Feminilidade intrínseca e inconsciente
O rei e a rainha de mãos dadas: União de opostos, amor
Criança branca e criança negra tocam-se nas mãos: Os pólos intrínsecos unem-se também
Lança: Conquista, capacidade procriadora
Cálice: Capacidade de doação, franqueza
Figura de cor violeta, encoberta, com as mãos estendidas de uma maneira protetora: Santidade, poder sacerdotal, bênção divina
Ovo órfico alado envolto por uma serpente: Mistério da vida, começo de uma grande obra
Cupido atirando uma flecha: Anseio por unificação
Lilith e Eva: Feminilidade sombria e luminosa
Abóbada de espadas: Análise e decisão precisa
Cabala: Zain = Espada
Astrologia: Gêmeos = Opostos e intercâmbio
ASPECTOS GERAIS: União, amor, transações arrojadas, decisões tomadas com
coração, superação de diferenças, reunir detalhes.
VIDA PROFISSIONAL: Sentir-se atraído por uma tarefa, juntar-se aos outros,
capacidade de assumir compromissos, fusões nos negócios, fechar contratos, boa
cooperação.
PLANO DA CONSCIÊNCIA: Reconhecer a relação entre as coisas.
RELACIONAMENTO: Sorte no amor, casamento, reconciliação, encontrar parceiro
dos seus sonhos, desejo de relacionar-se, envolver-se realmente, seguir coração e tomar
uma decisão com clareza.
ENCORAJA A: Juntar-se a outras pessoas e envolver-se em um projeto com todo
coração.
ALERTA SOBRE: O perigo de acreditar que início já seja a meta.

Marc Chagall

quinta-feira, 26 de março de 2009

Relações com a Qabalah
O Tarot, na prática, é uma expressão da qabalah e um dos principais métodos de estudo do Tarot.

Relações com a Alquimia

A alquimia é uma das mais importantes ciências do ocultismo e, como tal, tem simbolismo próprio e aplicabilidades que são muito extensas para expormos com amplidão aqui. A alquimia é a Arte por excelência, e ocupa-se da Grande Obra, que é transformar o próprio homem em
ouro. Enganam-se aqueles que, por desconhecimento, traduzem a alquimia como a busca da Pedra Filosofal (que é apenas um dos processos de transformação do alquimista) ou como a precursora da química moderna. Os alquimistas escondiam suas descobertas e processos, usando uma linguagem simbólica e uma escrita hierática (misteriosa). Poucos são aqueles que conseguem desvendar o sentido oculto naquelas páginas amareladas pelo tempo, que guardam segredos arcanos. Crowley, em seu Tarot, recheia as cartas com um linguajar alquímico
que, para ser penetrado, deve ser investigado com muito cuidado, para não se cair em erro.

Relações com a Astrologia


A astrologia é uma ciência milenar que estuda a relação dos astros com o mundo em que vivemos. Inicialmente, seu estudo era voltado principalmente para prever e antecipar
chuvas, catástrofes naturais e coisas do gênero. Mais tarde, tornou-se uma arte régia (pois era utilizada para fazer prognósticos aos reis e seus reinos) e hoje ela busca respostas para o ser humano moderno. Podemos dizer assim: no seu princípio, ela era auxiliar do homem no intuito de controlar o mundo em que vivia. Hoje, como o mundo já não é um mistério aos olhos do homem moderno, a astrologia o auxilia num terreno ainda pantanoso: o seu próprio interior. O homem que hoje domina a natureza, ainda não domina a si mesmo.

Relações com a Geomancia

A geomancia foi objeto de estudo da Golden Dawn e Crowley a utiliza, em especial, nos Arcanos Menores.
Com isso, fica fácil perceber que as relações do Tarot com outras ciências esotéricas são bastante amplas.
O Tarot aceita tudo. Ele é um livro aberto, mesmo quando está fechado. E suas páginas nunca se acabam, apesarde serem apenas 78. Como isso é possível? Basta tentar calcular a combinação de 78 cartas com substituições e se obterá um número tão gigantesco, que até se chegar a todas as combinações possíveis, o Universo já terá acabado. Logo, tudo pode ser contido nessas 78 lâminas sem que elas se esgotem. Seus limites acompanham o limite do Universo. Qual é esse limite? Arriscamos dizer que ele ainda não foi encontrado.

Ao estudante sincero dizemos que “a verdade se dá a conhecer na mesma proporção que se investe nela”, parafraseando Milorad Pavitch no seu Dicionário Kazar.
Como conselho ao estudante do Tarot, diremos apenas que as relações citadas aqui são apenas a ponta do iceberg. As verdadeiras relações e as mais profundas lhe serão indicadas pelo próprio Tarot à medida em que sua dedicação, seu espírito e seu intelecto assim o permitirem.

Como Identificar Relações Entre As Cartas Do Tarô

Existem várias formas de buscar relações entre as cartas do Tarot. Entre elas podemos destacar:

Adição Teosófica
É feita para se conhecer o valor teosófico de um número. Consiste em somar aritmeticamente todos os algarismos, desde a unidade até esse mesmo número, inclusive, ou seja, a soma do
número e de seus precedentes.
Assim, numa adição teosófica, o número 4 é igual a todos os algarismos somados de 1 a 4 inclusive, isto é: 1+2+3+4=10
O número 7 é igual a:
1+2+3+4+5+6+7=28=2+8=10
O número 12 é igual a:
1+2+3+4+5+6+7+8+9+10+11+12=78

Exemplo de Adição Teosófica:
Ao trabalharmos com a adição teosófica, percebemos que, a cada três números, volta-se à unidade. Ou seja: 1=4=7=10
pois:
1=1
4=1+2+3+4=10=1
7=1+2+3+4+5+6+7=28=10=1
10=1+2+3+4+5+6+7+8+9+10=55=10=1

De tal consideração percebe-se que:
1.º) Todos os números produzem, em sua evolução, os quatro primeiros.
2.º) O último destes quatro primeiros, o número 4, representa a unidade em uma oitava
diferente.
3.º) Todas as cartas estão intimamente ligadas entre si a cada três (pois no quarto, volta-se à unidade) números.

Ou seja, a carta I tem relação com a carta IV, a carta X com a carta XIV, e assim sucessivamente. Pode-se apreender daí que, para descobrir as relações ocultas entre as cartas, deve-se somar 4 ao valor da carta para descobrir a sua sucessão, e diminuir 4 para descobrir a sua antecedente. Esse método aplica-se separadamente aos Arcanos Maiores e Menores, não se aplicando ao Louco (Arcano 0) e à Realeza (já que essas não têm valor numérico algum), pois, como variam as distribuições das cartas entre eles, é temerário utilizar-se o Tarot completo (as 78 cartas) para tal cálculo. Ao se chegar à última carta no grupo (Maiores ou Menores), essa carta terá apenas antecessor e não terá sucessor.

Redução Teosófica

Consiste em reduzir todos os números formados por dois ou mais algarismos em um número com um só algarismo. Isso é feito, somando-se os algarismos que compõem o número, até que fique apenas um.
Exemplo:
10=1+0=1
11=1+1=2
12=1+2=3
126=1+2+6=9
2488=2+4+8+8=22=2+2=4
A redução teosófica prova que todos os números, quaisquer que sejam, reduzem-se aos nove primeiros.
Este tipo de cálculo também é conhecido como método pitagórico.

Outras Relações do Tarô de Crowley


O Tarot de Crowley é um Tarot pagão. Embora muitas vezes pareça mais claro identificar uma carta com um símbolo cristão, primeiro busque um símbolo pagão. Cruzes não existem apenas no cristianismo.
Suásticas não são apenas símbolos do Nazismo.
Cristianismo, hinduísmo, budismo, islamismo, druidismo, são algumas das religiões que podem ser encontradas nas cartas do Tarot.
Crowley, em especial, fez questão de colocar elementos de várias religiões conforme sentia necessidade de explicar ou suscitar algo. Deve-se observar com muito cuidado essas relações, pois, muitas vezes, um símbolo tem significado diferente em diferentes regiões do Planeta. A interpretação deve ser corroborada pelos outros símbolos que constam na carta. Caso contrário, você pode estar fazendo uma grande confusão.
Tente fazer, sempre que possível, a interpretação mágico-divinatória da carta, dando
sempre uma ênfase maior no item mágico e simbólico da carta. Muitos estudantes podem achar estranho a forma com que interpretamos cada carta, mas, com certeza, no final da leitura, irá concordar conosco. Como recuperação de um conhecimento e com um sentido mágico, o Tarot deve ser interpretado como tal. Os Arcanos Menores por exemplo, com suas relações astrológicas e angélicas, podem auxiliar no preparo de rituais, fórmulas alquímicas e interpretação do horóscopo.
Até o começo do século XX, o ocultista era uma pessoa que dominava todas as partes do conhecimento esotérico: astrologia, alquimia, magia, Tarot e geomancia, entre outros. A partir do séc. XX, as áreas do conhecimento esotérico são separadas e começamos a encontrar “aquele” astrólogo, “aquele” tarólogo. E, dessa forma, o conhecimento da totalidade se fragmentou.

É comum, hoje, ir a uma escola de Tarot e ouvir a seguinte frase: “Para se estudar o Tarot não é preciso conhecer qabalah ou astrologia. Isso, se você quiser, é outro curso, mas não precisa. São coisas diferentes.”

Com certeza são diferentes, mas complementares.

Os Arcanos Maiores têm uma relação bastante discreta e de fácil assimilação com a astrologia. Para que o estudante possa aproveitar essa relação, recomendamos a observação da Rosacruz Hermética desenhada nas costas das cartas do Tarot de Crowley. Esse desenho também é encontrado facilmente em outros Tarots e na literatura de origem Rosacruz. Esse símbolo foi desenvolvido no séc. XIX como um lamem da Rosacruz por Mac Gregor Mathers, um dos fundadores da Hermetic Order of the Golden Dawn (Ordem Hermética da Aurora Dourada). Mais tarde, foi copiado por várias outras ordens, cuja única relação real com o Rosacrucianismo é o nome.
No desenho da Rosacruz Hermética, podemos perceber em seu centro, vinte e duas (22) pétalas que têm a seguinte correspondência: as três letras mães do alfabeto hebraico, correspondendo também aos três elementos (ver o capítulo intitulado “O Tarot e os Elementos”); sete letras duplas, também do hebraico, correspondendo aos sete planetas de Sol a Saturno e, finalmente, as 12 letras simples, também do hebraico, correspondendo aos doze signos do Zodíaco.
Essa é a parte que interessa ao nosso estudo.

Nos Arcanos Maiores a relação da astrologia é direta, pois as 22 pétalas da Rosacruz correspondem aos 22 Arcanos Maiores. Logo, podemos aprender, utilizando os Arcanos Maiores, a síntese dos elementos astrológicos.

Tarô O Templo Vivente


“Meu primeiro contato com Aleister Crowley foi em 1982 por meio de uma revista Planeta. Na época, o artigo em questão não era dos mais elogiosos ao nosso TO MEGA QHPION. Mas, aquilo bastou para despertar uma curiosidade maior sobre aquele que a reportagem (como tantas outras) definia como “O homem mais perverso do mundo”. Nos anos que se seguiram, fui conseguindo aqui e ali outras reportagens, trechos de documentos, frases, pequenas histórias que foram montando na minha mente um vitral maravilhoso sob o qual se escrevia a palavra sagrada: “THELEMA”. Em 1991, tive em minhas mãos pela primeira vez o Tarot de Crowley. Enquanto mexia com mãos trêmulas aquele maço de lâminas, pude perceber que Crowley realmente dera ao Tarot sua vida e sua obra. As lâminas pareciam vivas nas minhas mãos e ao fundo ouvia a voz do guia na escuridão. Desde então, o Tarot de Thoth tem sido um companheiro inseparável em meus estudos e ao qual dedico grande tempo para tentar desvelar as palavras ocultas do velho companheiro que, na minha mente e no meu coração, ainda permanece vivo.
Ainda naquele ano e no seguinte, estive duas vezes num mosteiro franciscano onde pude encontrar quietude suficiente para estudar mais profundamente o Tarot. Numa dessas vezes, algo realmente fantástico aconteceu.
Numa determinada noite, estava dormindo e, em sonho, pude ver a carta de número XIV – A Arte, como se estivesse projetada na parede de um grande salão. Ao me aproximar, percebi que a carta se movia.
Fascinado, cheguei ainda mais perto e, no local onde normalmente se encontra o nome da carta, havia uma espécie de degrau que usei para entrar nela. Os movimentos eram lentos e graciosos. A figura central da carta ia me apresentando todos os outros símbolos num balet maravilhoso que se fixou em minha alma.
A partir de então, nos dias e meses que se seguiram, as cartas do Tarot foram desfilando uma a uma diante de meus olhos adormecidos para o exterior e despertos para o interior. Não descrevo essa experiência no intuito de me fazer vidente ou seja lá o que for, mas como alguém que, sem saber, obteve uma fagulha do mundo oculto nesse maço de cartas. Escrevo isso hoje como um desabafo, algo que me acompanha desde aqueles dias, cada vez mais vivo dentro de mim."

O objetivo maior desta obra não é o de ser um livro revelador do Tarot de Crowley. Não tenho a
pretensão de ser o melhor ou o mais fantástico autor sobre o assunto, mas revelar àqueles que, como eu, dedicam seu tempo ao estudo desse livro fantástico que é o Tarot. O livro é resultado de um trabalho imenso de pesquisa, dedicação, carinho e, principalmente, de desejo de poder contribuir com mais uma pedra para construir, como o próprio Crowley já escreveu, o Templo Vivente.
Durante todo esse tempo de estudo, posso dizer que as lâminas do Tarot confiaram a mim uma parcela do seu saber. Algumas das lâminas hoje compreendo profundamente, enquanto de outras nada tenho, a não ser uma ligeira idéia do que representam. Meu trabalho ainda não está encerrado e sei que no futuro devo continuar a escrever mais sobre esse assunto. Tenho consciência de que jamais o esgotarei, mas talvez possa ajudar outros que continuarão esse trabalho em meu lugar."

“Amor é a lei, amor sob vontade.” – AL i 57

Anderson Rosa - trecho de: Tarô O Templo Vivente

segunda-feira, 23 de março de 2009

Simbolismo do Tarô em Catedrais Góticas











Por volta de 1240, os escultores da Catedral de Chartres, na França, Amiens e Milão antecipam em sua obras o que seria o Tarô. Seus grafismos deixam bem clara a fonte de onde se inspiraram os imagineiros do Tarot. O termo traduzido como "imagineiros" refere-se ao francês imagier, que designa os escultores da Idade Média, companheiros e mestres das corporações de ofícios, criadores de figuras, imagens, baixos-relevos como os reproduzidos acima.

Selinho de amizade

Selinho de nossa querida amiga Luciana que anda me deixando muito mal acostumada...hehe

Thoth Tarot de Crowley - Harris * Artesanal


Baralho reproduzido artesanalmente ilustrado com aquarela, crayon e nankin, com douração lateral. Acompanha uma caixa de madeira e um diário para anotações.
Durante muitos anos conheci Crowley apenas superficialmente. Um homem que ficou conhecido como "o homem mais perverso do mundo" ou "a besta 666" não me soava como boa coisa. Me recusei a pintar este baralho por duas vezes!... O que o preconceito faz com a gente, que muitas vezes "pensa" que já sabe muito...
Foi uma grata surpresa me apronfundar a respeito desse personagem tão mal compreendido.
Hoje sou grande fã do trabalho que Crowley realizou e estarei postando trechos de um estudo que considero um dos melhores até o momento. O livro se chama "Tarot - O Templo Vivente" de Anderson Rosa e está disponível na internet apenas parcialmente, mas para os que se identificam com este trabalho, não podem deixar de estudá-lo.

sábado, 14 de março de 2009

Um diálogo com a Papisa

A Papisa / Carola Trimano

"Como os poderes da Papisa são essencialmente não-verbais, você poderá achar (como eu achei) que uma boa maneira de enriquecer o seu sentimento por esse aspecto arquetípico de si mesmo é procurar imagens que lhe personifiquem as muitas qualidades. Outra técnica proveitosa para vir a conhecer a figura misteriosa é abordá-la diretamente. Se a atmosfera (e as estrelas) estiverem certas, você poderá ganhar novas introvisões.
Como explicação desse método, incluo aqui uma conversação elucidante que tive recentemente
com a Papisa sobre a sua posição como número dois na seqüência do Taro. Eu estivera imaginando se o fato de ser a segunda poderia fazê-la sentir-se de qualidade inferior. Fossem quais fossem os seus sentimentos, percebi que ela não se estava esforçando ao máximo. Lá sentada, como sempre, há séculos, imóvel e serena, sabendo o que sabia e aparentemente segura da sua sabedoria. Qual era o seu segredo?
Quando me aproximei do trono da Papisa com essa pergunta engatilhada, ela enrijeceu
imperceptivelmente o corpo e parte dela fugiu à procura de abrigo (como acontece com os introvertidos).
Quando se certificou de que todos os seus postigos internos estavam fechados, a dama reconheceu minha presença e concedeu-me uma audiência com graciosa inclinação da cabeça.
Senhora Papisa, muitas mulheres acham hoje que a senhora deveria ser a número um do Taro.
Concorda com elas?
"De maneira nenhuma!" replicou ela. "Veja bem, faz séculos que o número um pertence ao Mago. Aliás, fica-lhe perfeito, não lhe parece? O numero um é esguio e móvel como a varinha dele, ideal para o seu tipo de mágica. Mas não serviria de maneira alguma para carregar um bebê, cozinhar um caldeirão de sopa ou tramar uma intriga. Não, para a minha mágica não há nada melhor do que esse gozado e gordo número dois. Sinto-me felicíssima com ele."
Depois disso, a dama ficou em silêncio, deixando-se cair no antigo poço da memória. Ao fazê-lo,
os anos foram desaparecendo e o seu rosto principiou a brilhar com o frescor do jardim do Éden.
"Sabe de uma coisa", voltou ela com um dar de ombros e uma risada de meninota que lembrava
Eva, "para um número par, o dois é meio esquisito, não lhe parece? Quero dizer, o dois é gordo e
substancial como um pote mas, ao mesmo tempo, é meio enrolado e esquivo, como uma cobra."
Nesse ponto, a oradora fechou os olhos e deixou-se levar outra vez com um sorriso recordativo...
Por fim, despertou com um esforço, reassumindo a pose e o comportamento da Papisa.
"Não dê atenção a esses freudianos, filha", disse ela. "Eles não entendem de cobras. Há um
montão de coisas de que eles não entendem em relação ao nosso malvado, manhoso, maravilhoso número dois! Sim, estou muito satisfeita com o lugar da mulher", concluiu suavemente, cantarolando uma melodiazinha na garganta.
Mas a senhora não preferiria ser a primeira?
Seguiu-se outra longa pausa.
"Você deve ler da esquerda para a direita, com certeza", disse ela finalmente, com os olhos fixos
num ponto cerca de trinta centímetros acima da minha cabeça e com vários séculos de profundidade.
Mas, Senhora, seja qual for a direção em que se lê, ao contar, o número um sempre vem primeiro!
"Isso é verdade, minha querida", assentiu ela placidamente, "e o número dois vem depois. A
matemática foi difícil para mim, também, a princípio, mas a gente logo se acostuma a ela".
Mas sem dúvida é melhor ser primeira?
"Ah, meu Deus!" suspirou ela. "Quanto trabalho vocês, modernos, arranjam para si mesmos com
toda essa avaliação! Não admira que tenham inventado computadores a fim de trabalharem um pouco para vocês."
Quer dizer que a senhora é contra a avaliação? Deve achar, então, que a gente ser primeira ou
segunda dá no mesmo?
"Oh, não. É claro que não dá no mesmo. É diferente. Muito diferente. Aí bate o ponto, entende?
Nem melhor nem pior - apenas diferente. Cada lugar tem o seu sabor - como as especiarias - ou os perfumes. Gosto de pensar que somos flores - o Mago, uma virga-áurea e eu, uma rosa."
Sim, percebo. Mas há duas coisas que ainda me intrigam. Dizem que Eva foi uma idéia tardia do
Criador - a costela de Adão, a senhora sabe. Isso é verdade?
"Tolice! A costela de Adão foi completada antes que ele o fosse. O fato é que Adão só deu por ela
mais tarde. Foi isso que aconteceu.
"Tenho aqui uma gravura, em algum lugar, que conta a história toda. Mostra exatamente o que se deu no Éden por ocasião da Criação, e o que ainda está se dando hoje. Você sabe", disse ela, olhando atentamente para mim enquanto procurava a gravura nas dobras da túnica, "você sabe", repetiu, "que vocês, crianças, ainda estão presos ao Éden de muitas maneiras. A sua criação ainda não acabou - esse é um serviço que vocês (como todos os filhos de Deus em toda a parte) terão de acabar pessoalmente...
Ah, aqui está a gravura!" gritou, mostrando esta excelente ilustração de William Blake.
A Fêmea Surgiu da Escuridão Dele / William Blake

"Por aqui se vê perfeitamente que Eva não é a costela de ninguém! É, antes, uma deusa e, como
todos esses imortais, nasce adulta - um nascimento milagroso. Atrás dela, ergue-se a sua gloriosa serpente. Não são lindas as duas? Mas Adão está dormindo; nem sabe que ela existe. Hoje ele começa a despertar para a realidade dela, mas ainda não sabe muita coisa a seu respeito. Na verdade, nem mesmo Eva está plenamente convencida da própria realidade. Se olhar para o rosto dela, você a verá ainda absorta num sonho, colocada, como a Miranda de Shakespeare, no limiar de um Corajoso Mundo Novo.
"Blake deu ao quadro o nome de A Fêmea Surgiu da Escuridão Dele. Muitas pessoas, hoje em
dia, dizem que foi apesar da escuridão de Adão, e não dela, que Eva conseguiu nascer. Enfatizam
também as palavras apesar de, ao contar como Eva (coitadinha) tem lutado todos esses anos contra a inconsciência do seu homem, sofrendo os muitos olhares torvos (e olhos pretos) que ele lhe deu ao longo do caminho! Não foi esse, porém, o modo com que Blake o pintou, ela disse. E também não é o modo com que o vejo. Segundo Blake, foi da escuridão de Adão - quase que se poderia dizer por causa dela, que Eva veio a nascer. (Eu gostaria que ela pudesse encontrar em seu coração, para oferecer a ele, um pouco mais de gratidão - e um pouco menos de rancor!)
"Imagine só: o mundo deles era um mundo de Jeová, de rigorosos mandamentos e proibições, e o Senhor Adão era o seu herdeiro presuntivo. Só na sombra da escuridão adormecida de Adão se poderia encontrar um ventre seguro para a concepção e um espaço secreto para o crescimento de Eva. Adão (bendito seja) guardou sua escuridão para ela e alimentou-a com seus sonhos. Ele sonhava com ela constantemente, você sabe - e suspirava por ela. De modo que foi, na verdade, por causa dos sonhos e da necessidade de Adão que Eva encontrou um jeito de realizar-se. Entende?
"Naturalmente, a Eva dos sonhos não correspondia à Eva da realidade. Mas, a princípio, nenhum
deles sabia disso. E visto que surgira dos sonhos dele, ela simplesmente os incorporou, pois ainda não encontrara sua essência própria. Hoje, quando ela descobrir quem ela é, ele descobrirá novos sonhos para sonhar. Um dia sonhará às deveras. Você verá.
"Oh, não se pode negar que os primeiros sonhos foram inadequados. Os primeiros sonhos muitas
vezes o são. Mas são também as sementes de toda realidade, minha querida. Lembre-se disso."
Por alguns momentos, a Papisa e eu permanecemos em silêncio, matutando juntas no Adão
adormecido. Depois, ela disse, de repente:
"Não se incomode com o que poderão dizer quando estiverem acordados, filha. Eles nos
alimentam com os seus sonhos e suspiram pela nossa verdadeira realidade. Nunca se esqueça disso.”
Após uma pausa, enquanto eu me lembrava de não esquecer, a Dama voltou-se para mim e
perguntou-me gentilmente:
"Parece que você tinha mais uma pergunta?
Bem, esta se relaciona com o Sol e a Lua. Há um boato segundo o qual a luz da Lua é de
qualidade inferior, pois ela não passa de um refletor da poderosa glória do Sol — ela não tem essência nem divindade próprias. Que é que a senhora pensa sobre isso?
"Ora", disse a Papisa, meneando a cabeça. "Quem quer que dê curso a boatos assim - não há de
ser mulher, você pode estar certa! Felizmente, tenho aqui uma coisa que lhe sossegará o coração."
Dizendo isso, a dama tirou do seu volumoso manto uma gravura. "Como está vendo", prosseguiu, "eis aqui um excelente quadro de Rafael - Deus Criando as Duas Grandes Luzes. Veja com os seus próprios olhos como Ele fez, pessoalmente, o Sol e a Lua ao mesmo tempo, com cada uma das suas mãos.

Deus Criando as Duas Grandes Luzes / Afresco de Raphael

"Não", continuou ela, "toda essa questão de primeiro ou de segundo não tem importância alguma. O dois é o número de toda a vida; sozinho, o um não pode fazer nada. Até o Senhor, como você não ignora, precisou do dois para poder encetar a tarefa da criação. Há outro famoso retrato d'Ele que o demonstra com perfeita clareza - o Deus Criando o Universo, de Blake.

Deus Criando o Universo / William Blake

Mostra o barbudo Criador com um compasso na mão, estendendo um braço comprido desde o Grande Círculo do Céu, em vias de traçar o círculo microscópico à imagem e semelhança do macroscópico. Para poder fazê-lo, Ele - até Ele - precisou usar as duas pernas do compasso: uma para fixar e estabilizar o centro do Seu círculo e outra para descrever-lhe a circunferência. Sim, até o Todo-Poderoso teria ficado impotente com um só.
Para fazer um todo é indispensável o dois... é indispensável o dois".


Fragmento de JUNG E O TARO -Uma jornada arquetípica

Sallie Nichols

quarta-feira, 11 de março de 2009

Por Que a Adivinhação Funciona


Certa vez, o famoso físico E. David Peat escreveu: "Tudo causa
tudo mais."1
C.G. Jung afirmou: "Todo o universo está contido nas mínimas partículas que, portanto, correspondem ao todo"2

André Gide, filósofo e escritor, observou: "A infelicidade resulta de olhar ao redor e controlar o que se vê."3

E Gautama (o Buda) quando perguntado "O que é o Nirvana?", respondeu: "O Nirvana é a conseqüência da compreensão de que todas as coisas
são iguais. "
As virtudes das últimas pesquisas realizadas em várias ciências modernas demonstram fisicamente que aquilo que esses e outros astutos pensadores vêm dizendo o tempo todo é
verdade: tudo no universo está intimamente relacionado a todo o resto. A ciência mais discutida onde isso vem sendo confirmado é a Física Quântica.
O Efeito de Ressonância Eletro-paramagnético (Efeito ERP), um mecanismo da física, foi matematicamente teorizado pelo físico John Stewart Bell em 1964 e, mais tarde, comprovado
pelo físico John Clauser em uma experiência de laboratório na qual fótons subatômicos foram expostos à mesma polarização e depois disparados em direções opostas. Clauser, auxiliado por Stuart Freedman, descobriu que após dois fótons polarizados serem separados, eles ainda respondiam ao mesmo estímulo.
Em outras palavras, quando um era estimulado, o outro, embora a uma certa distância, também respondia. Uma vez exposto, os dois fótons relacionados não podiam mais ser considerados objetos separados, mas de alguma forma mantinham um vínculo misterioso. Alguns físicos teorizaram que após compartilharem uma polarização
comum, independente do quanto duas partículas possam estar distantes uma da outra, ou de quanto tempo passe, elas continuarão a compartilhar a mesma polarização e algo em comum uma com a outra, mesmo talvez pela eternidade e pelo infinito.
A eternidade e o infinito são um tempo muito longo em um vasto espaço para duas coisas compartilharem experiências. Porém, aparentemente, isso é exatamente o que as partículas fazem.
Por incrível que pareça, todos nós possuímos partículas dentro de nós, nesse momento, originárias do "Big Bang" e de toda pessoa e toda criatura viva que já viveu. A física Louise B. Young em seu livro, The Unchanged Universe, fala sobre esse tempo e espaço de partículas sem
fim.
"Em geral acreditamos que todos os prótons que existem hoje — pelo menos um em cada átomo no universo — foram criados no primeiro centésimo de milionésimo de um segundo após o Nascimento Cósmico. Recentemente, os cientistas vêm procurando, com instrumentos sofisticados, sinais de que o próton pode, na realidade, desintegrar de forma espontânea
ocasionalmente, e eles chegaram à conclusão de que se o próton desintegrar de alguma maneira, a vida média deve ser de, pelo menos 100.000.000.000.000.000.000.000.000.000.000 anos ... Essa unidade extraordinariamente tenaz de matéria serve como o núcleo do átomo
de hidrogênio, o mais simples e mais abundante no cosmos."4
O físico Jean Charon em seu livro The Unknown Spirit: the Unity of Master and Spirit in Space and Time, também menciona o tempo infinito (eternidade) e o espaço sem fim (infinito) das
partículas. Ele diz: "Há mais elétrons em um centímetro cúbico de ar em nosso planeta do que estrelas no cosmos... Como sabemos, Júlio César foi morto em 44 a.C. Como todo mundo faz quando dá seu último suspiro, ele expeliu na atmosfera aproximadamente um litro de ar dos pulmões. Portanto, aqui está a questão: a cada inalação, e em qualquer lugar do planeta, não estamos inalando alguns dos elétrons que constituíram as moléculas de ar do suspiro final de Júlio César? Podemos dizer que esse último litro de ar de César foi uniformemente diluído no planeta durante o passar do tempo, e que penetrou em todas as camadas atmosféricas, atingindo 100 km de altura ao redor do planeta. Um cálculo simples fornecerá a resposta.
`Sim, no momento respiramos aproximadamente 100 elétrons de César em cada inalação: "5
É provável que ninguém seja capaz de provar empiricamente que as partículas são infinitas e eternas, mas o tempo e o espaço que os físicos descobriram que as partículas abrangem é tão fenomenal que não existem muitos de nós capazes de discutir o assunto. O postulado científico de que certas partículas nunca desintegram, e que toda a criatura viva compartilha partículas com cada outra criatura viva, e, já que toda a matéria e o espaço são partículas,
parece sugerir aquilo que os místicos vêm dizendo todo esse tempo: tudo está ligado e tudo que acontece a qualquer um de nós acontece a todos nós.
A física não é, de forma alguma, a única ciência que deduziu que a vida pode estar intimamente ligada de forma infinita e eterna, mesmo em modos manifestos com os quais jamais sonhamos,
porque os pesquisadores modernos de todos os tipos — programadores de computador, matemáticos, astrônomos, astrofísicos, neurologistas — estão se aprofundando em seus campos de especialização e surgindo com protótipos do universo semelhantes.
O Paradigma Holográfico da tecnologia de luz moderna demonstra o mesmo princípio da unidade da vida. Agora que a ciência é capaz de produzir um holograma fisicamente, somos capazes de realmente visualizar como todas as partes estão ligadas, ou contidas em um todo, de forma muito literal. Um feixe de laser é luz concentrada e enfocada no espectro eletromagnético, que o
torna igual às outras formas de luz exceto que nos capacita a ver coisas que nossos olhos físicos não registram na luz difusa comum.

Um holograma é produzido pela divisão de um feixe de luz de modo que o laser se reflete de volta em si mesmo. O resultado é uma imagem tridimensional que de todas as formas, exceto pela ausência de uma barreira material, parece e age exatamente como a realidade tridimensional. Muitos de nós viram o primeiro holograma em um filme chamado "Guerra nas estrelas" quando o R2D2 projetou para Obewankanobee a imagem holográfica da Princesa Lea. A coisa mais interessante sobre um holograma é que todas as suas partes estão contidas na forma de todos menores dentro de um único todo maior. Se um holograma de uma maçã é cortado em 16 pedaços diferentes, cada um dos 16 pedaços contém uma imagem da maçã inteira. Os cientistas não sabem por que ou como isso ocorre, mas dos holográficos (visão total) e dos holofônicos (som total) surgiu o Paradigma Holográfico, que é a teoria de que o universo inteiro é um Super Holograma gigante e que todas as coisas nele são apenas todos menores que constituem imagens completas contidas em um todo maior. O fenômeno holográfico confirmou para algumas
pessoas que a vida não se limita a apenas àquela banda estreita do físico que os cinco sentidos humanos registram, mas podemos sentir sem limites e sem fronteiras. Se lembrarmos daquilo que foi discutido no capítulo 1, isto é, aquilo que Hermes propôs há mais de 3.000 anos e que é denominado de Lei Hermética da Correspondência: assim como em acima, embaixo. E assim como embaixo, em cima. Como na tradução do latim de texto das Tábuas de Esmeralda de Hermes Trismegisto, a Lei Hermética da Correspondência diz precisamente: "Quod est inferius est sicut quod est superius et quod est superius est sicut quod est inferius ad perpetranda miracula rei unias" ("O que é inferior é como o que é superior e o que é superior é como o que é inferior para perpetuar o milagre do deus unificado")6. Para os leitores que desejarem mais informações a respeito do Paradigma Holográfico, Michael Talbot o explica divinamente em seu livro The Holographic Universe.7
C.G. Jung, Marie von Franz, R David Peat e muitos outros eruditos também descreveram o mesmo princípio da unidade universal usando a teoria da sincronicidade de Jung. A definição de
uma sincronicidade é: "uma ocorrência no tempo ou no espaço na qual dois ou mais eventos ou objetos aparentemente não relacionados possuem o mesmo ou semelhante sentido." De forma
mais simplificada, Jung disse que uma sincronicidade é uma "coincidência com sentido".8
Se na vida real as coincidências realmente ocorrem, ou se tudo na vida é tão planejado que apenas parece não estar relacionado quando, na realidade, tudo está muito relacionado, vem sendo seriamente debatido entre alguns dos maiores eruditos em sincronicidade do mundo. Muitos pesquisadores acreditam que há uma simetria comum e universal subjacente em todas as coisas, que tudo é sincrônico, e é apenas em raros momentos que somos capazes de visualizar um mecanismo maior em funcionamento que incorretamente chamamos de coincidência.
E tudo isso é a razão por que a adivinhação funciona. Muito embora não sejamos normalmente capazes de perceber que funciona, aparentemente, tudo funciona. Se você é capaz de ver um
pedaço de um holograma, você conseguirá uma boa noção do holograma inteiro. Se você for capaz de ter um lampejo de uma sincronicidade, você pode ser capaz de ver a parte que ela desempenha em um mecanismo maior. Ou, em outras palavras, todas as coisas estão em todas as coisas.
Sempre disse que um adivinhador suficientemente bom pode ler qualquer coisa, cartas, pedras rúnicas, bola de cristal, folhas de chá, até mesmo as rachaduras da parede. Por ser o mundo uma
semelhança de si mesmo — ou por Deus o ter criado à sua Imagem — como a física quântica, o Paradigma Holográfico, sincronicidade, e muitos outros modelos podem sugerir o que está ao nosso redor, a qualquer dado momento, é aquilo com que somos mais parecidos, mas apenas reconhecemos aquela parte da semelhança à qual somos capazes de perceber. Estamos apenas conscientes de qualquer dimensão, plano, evento, situação ou parte da vida que percebemos,
e a razão pela qual o percebemos em primeiro lugar é porque isso é aquela parte com a qual somos mais parecidos. Quando colocamos as cartas do Tarô estamos tentando olhar para uma parte da vida que não reconheceríamos normalmente. E, independente do sucesso ou
fracasso, de qualquer forma veremos nosso próprio reflexo nas cartas, tão certamente quanto se fossem espelhos muito polidos refletindo a própria imagem de nós mesmos.
Se isso parece simplista, talvez seja porque, no fim, é possível que o universo em si seja simples. Em geral, são as pessoas que tendem a complicar as coisas. A teologia e a mitologia atribuem
todo o nosso problema de início ao Pecado Original. O Pecado Original ocorreu quando Adão e Eva (ou suas contrapartidas culturais em outras religiões) foram expulsos (ou escolheram deixar,
dependendo de que versão da estória você está lendo) do Jardim do Éden e se separaram de Deus. A estória de Adão e Eva pode ser literalmente verdade, ou uma alegoria mitológica, mas seja qual for é supostamente quando primeiro a humanidade começou a acreditarse
separada de Deus. E, uma vez que Deus é um e Todo, é também quando começamos a nos ver separados e divididos de tudo o mais também. Aparentemente, a humanidade não mudou tanto assim desde que Adão e Eva originalmente expressaram sua individualidade, porque ainda nos vemos como indivíduos, separados de Deus, e de outras pessoas, e de outras criaturas.
Curiosamente, em geral, nos vemos como melhores do que todos os acima. O que, de acordo com os Sufis, foi o que causou a Queda, ou separação, e ainda continua a causá-la. O fato de que não
conseguimos ver o Todo como a Unidade e nos acreditamos corpos e mentes separados parece resultar de cada um de nós ser limitado àquilo de que estamos pessoalmente conscientes. Ou como Jung uma vez escreveu: "Vemos aquilo que enxergamos."10 Todo conflito deriva da incapacidade de perceber outras realidades.
Em teoria, a adivinhação pode funcionar para qualquer um. Em teoria, qualquer coisa pode ser lida, até mesmo um aquário. No entanto, a capacidade de adivinhar qualquer coisa com precisão
depende da boa capacidade de visão do leitor. Se as pessoas se deixarem cegar pelas próprias projeções, se estiverem fixadas subconscientemente nas crenças pessoais de forma que sejam incapazes de ir além dos próprios temores e desejos (seus ângulos pessoais sobre o Anjo/Ancanjo/Arcanum), elas não serão capazes de ver qualquer coisa, mas o próprio subconsciente em uma leitura, não importando para quem está sendo feita a leitura. Uma vez que, na realidade, o universo é um todo único indivisível, quanto mais as pessoas se sentirem separadas de alguma coisa nele, menos são capazes de ver qualquer coisa exceto as próprias crenças em outras pessoas e em virtualmente tudo que existe. Já que todos enxergam as próprias semelhanças, ou ângulos, ou porque igual atrai igual, com freqüência, acontece que as pessoas buscam respostas de outras pessoas que têm os mesmos problemas, idéias e situações na vida. Por essa razão, psiquiatras, conselheiros e tarólogos parecem, muitas vezes, saber a resposta para certos problemas, mas o conselho ou a leitura oferecidos serão tão limitados, ou ilimitados, quanto os leitores e consulentes.
A adivinhação bem-sucedida não é aleatória, nem por acaso. É um reflexo codificado do universo agindo em nós e em tudo que existe. As cartas não fazem acontecer o que nós vemos nelas, elas
meramente refletem o que já está lá. Elas refletem aquela porção do Todo que somos capazes de reconhecer. Não importa se colocamos Tarô por brincadeira, negócio, uma sensação de poder, crescimento ou busca espiritual, ele funciona. E como tudo o mais na vida — nossos empregos, relacionamentos, objetivos, carros e cafeteiras —, ele funciona na proporção exata daquilo que damos a ele e daquilo que somos capazes de receber dele. Talvez seja como C.G. Jung disse certa vez: "O espírito e o sentido de Cristo estão presentes e são perceptíveis por nós sem a ajuda de milagres. Apenas aqueles que não conseguem perceber o sentido dos milagres desejam entendê-los. Eles são meros substitutos para a realidade incompreendida do Espírito. "11

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1. E. David Peat, Synchronicity: lhe Bridge Between Matter and Mind, p.47.
2. C.G. Jung. Psyche ér Symbol, p.250.
3. André Gide, The Fruiu of the Earth, p.14.
4. Louise B. Young. The Unchanged Universe, p.39.
5. Jean Charon, The Unknown Spirit. The Unir), of Matter and Spirit in Space and Time, p.100.
6. Mouni Sadhu, The Tarot, p.44.
7. Tradução literal: O universo holográfico.
8. C.G. Jung. Synchronícity: An Acausal Connecting Principie, p.21-5.
9. A autora pretende fazer uma associação entre Horseshoe Lane [via da ferradura] e
Palomino Drive [alameda dos palominos, um tipo de carvalho)
10. C.G. Jung. Psychological Types, p.9.
11 . C.G. Jung, Psychology & Religion — West & East, parágrafo 554.
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Bibliografia:
Riley. lana, Dictionary and Compendium, Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed. 1995

Os Arquétipos retratados no "Livro Mágico"



Os Arcanos Maiores são arquétipos invisíveis e universais, às vezes chamados de Arcanjos, Anjos, Espíritos, Eus Superiores, Guias Internos, ou superconsciente. As cartas Menores mostram como os Arcanos Maiores se apresentam nos eventos e situações arquetípicas individuais ou em questões que acontecem na Terra. E as Cartas da Realeza indicam o comportamento e a personalidade arquetípicos.
Perceber que o Tarô é a representação de 78 arquétipos não nos esclarece, no entanto, a respeito do que constitui precisamente um arquétipo. Os psicólogos, esotéricos e teólogos falam sobre
arquétipos sem fornecer-nos definições claras. Os arquétipos formam a espinha dorsal da psicologia moderna. Eles são as imagens de onde derivam os anjos e demônios de todas as religiões. Os heróis e vilões dos contos de fadas, mitos, romances modernos e dos filmes, o mocinho com o chapéu branco e o malvado com o preto, o corcel confiável do primeiro e a heroína desprotegida a espera do resgate são todos arquétipos. Os arquétipos são pintados nos muros das catedrais e nos templos sagrados, e as corporações inconscientemente estruturam sua hierarquia nessas imagens. Elas aparecem nos trabalhos de Leonardo da Vinci, Michelangelo,
Salvador Dali e todos os artistas e músicos de todos os lugares. Os arquétipos formam a base de todos os livros escritos, todos os filmes filmados e todas as canções cantadas. Os arquétipos são encontrados ao nosso redor em todas as formas e movimentos.
Para descrever o que os arquétipos são na verdade, talvez seja útil examinar algumas das várias formas em que os diferentes estudiosos têm tentado defini-los todos esses anos. Começando nos
primórdios da sabedoria popular antiga, Hermes Thoth Trismegisto, o famoso sábio-mágico-estudioso do Egito, definiu os arquétipos de maneira bastante parecida à do primeiro livro do Gênesis da Bíblia. Sobre os arquétipos, Hermes escreveu:

Antes do universo visível ser formado, seu molde foi feito. Esse molde foi chamado de Arquétipo, e esse Arquétipo se encontrava na Mente Suprema muito antes do processo de criação começar. Contemplando os Arquétipos, a Mente Suprema se apaixonou pelos próprios pensamentos; portanto, tornando a Palavra como um martelo poderoso, ela escavou cavernas no
espaço primordial e moldou a forma das esferas no molde Arquetípico, semeando ao mesmo tempo, nos corpos recém-modelados, as sementes das coisas vivas. A escuridão abaixo, ao receber o martelo da Palavra, foi modelada em um universo ordenado. Os elementos se
separaram em camadas e cada um produziu novas criaturas vivas. O Ser Supremo — A Mente — masculina e feminina — produziu a Palavra. Dessa forma foi realizado, 6 Hermes: A Palavra que se move como um sopro pelo espaço chamou o Fogo devido ao atrito causado por seu movimento...( Manly P. Hall, The Secret Teachings of All Ages, p.xxxix. Citação retirada da "The Vision"; alguns estudiosos acreditam que ela foi escrita por Hermes)

Por mais bela e poética que essa descrição seja, quando pretendemos explicar o que constitui de fato um arquétipo, ela pode ainda deixar alguns de nós sentindo como se nossos indicadores estivessem abaixo do nível normal. Portanto, examinemos uma definição mais contemporânea, uma que talvez esteja mais sintonizada com nossa forma moderna de pensar.
C.G. Jung é o homem de nossa era responsável por uma vez mais trazer os arquétipos à atenção do público. Ele dedicou toda uma vida à exploração deles, e escreveu volumes sobre eles. Sobre os arquétipos, Jung escreveu:

Os conteúdos do inconsciente coletivo são conhecidos como arquétipos (...) essa parte do inconsciente não é individual mas universal; em contraste com a psique pessoal, ela possui conteúdos e modelos de comportamento que são mais ou menos iguais em todos os lugares e em todos os indivíduos... O arquétipo é essencialmente um conteúdo inconsciente que é alterado ao
tornar-se consciente e ao ser percebido, e assume sua cor a partir da consciência individual na qual por acaso aparece (C.G.Jung, The Archetypes eã the Collective Unconscious, p.3, 5).

A definição de Jung é oportuna para o Tarô por várias razões, não apenas porque descreve como os Arcanos Maiores se vinculam aos Menores, mas como os arquétipos são, acima de tudo,
universais no conteúdo (os Maiores) e, depois, se tornam pessoais ao serem percebidos pelo indivíduo (os Menores). É também, como uma pessoa mais holística pode imediatamente notar, uma forma quase clínica de dizer que todos nós criamos as próprias realidades por aquilo (arquétipo) de qual estamos mais conscientes. No entanto, a definição de Jung, precisa como é, pode ainda deixar alguns de nós um pouco confusos. Ainda que entendamos as definições de Hermes e Jung dos arquétipos, eles não nos explicam como aplicá-los na vida cotidiana. Portanto, passemos ao Webster's Ninth New Collegiate Dictionary, onde encontramos o arquétipo definido como: "padrão ou modelo original do qual todas as coisas do mesmo tipo são representações ou cópias.."
Logo, se por alguns momentos, pensamos sobre essas três definições diferentes de arquétipos, é possível que cheguemos a uma definição consolidada que pode ser algo como:

O Arquétipo original foi um pensamento na Mente de Deus — masculino e feminino. A Mente Suprema se apaixonou pelo próprio pensamento e criou a vida à sua Imagem pelo atrito de Sua Palavra, ou pelo movimento de Seu som. Isso fez com que o Universo fosse dividido em camadas ordenadas, e em virtude da criação estar dentro da Mente de Deus, tudo é um modelo ou uma cópia do padrão original, que é Deus.

Ou talvez algo com efeito semelhante. Se parece haver alguma confusão quanto a se a criação é modelada a partir de Deus ou a partir de Seu pensamento, provavelmente é devido ao fato de que os estudiosos esotéricos sempre sustentaram que o pensamento é, Deus é, que pensamento e Deus e Mente e Criação são sinônimos.
Somos o que pensamos. E o que pensamos, somos. Da mesma forma, também somos o que falamos. Esse mesmo conceito — da vida sendo moldada segundo o Arquétipo original — foi formulado de várias outras maneiras.

"Como acima, embaixo" "O que vai, volta" "Colhemos o que plantamos:' "Os iguais se atraem" "O que você faz aos outros será feito com você." "Olho por olho, dente por dente:' "Para toda ação
há uma reação igual e no sentido contrário"
Hunbatz Men, em seu livro Segredos da ciência/religião maia, salienta que a Bíblia diz que Deus nos criou à sua imagem e semelhança, e sugere uma analogia com a idéia de que Deus é energia, e que somos um reflexo daquela energia cósmica inteligente, da consciência cósmica. Nos maias o corpo é chamado de wuinclil, que significa "ser vibração." (Hunbatz Men, Secrefs of Mayon Science/Relìgion, p.81) Talvez isso esclareça novamente a natureza da imagem de Deus criada pela palavra e à sua semelhança, ou som: pois som é movimento, ou partículas de ondas de luz em movimento. Na derivação, wuinclil soa de forma suspeita como wunjo, uma pedra rúnica de alegria e luz; como unihipili, o eu inferior na ciência e religião de Huna que significa vitalidade, energia, corpo, emoção e movimento; e como Mundo, o 21° Arcano no Tarô, que significa som, alegria, luz, vida e dança, todos afins com a vibração, energia, luz e som.
A partir de Hermes, Jung, Webster e Meu, começamos a perceber que os arquétipos são difíceis de definir porque são tudo — com a complexidade adicional de que "tudo", ou "qualquer coisa", é
sempre definido pelo olhar de um indivíduo. Talvez essa seja a razão por que a palavra em si, arquétipo, se analisada do ponto de vista etimológico, também acaba significando tudo que é percebido pelos olhos do contemplador, pois a definição de arco é "algo com ângulos" e a definição de tipo é "uma espécie", portanto um arquétipo é "uma espécie de ângulo". Hermes descreveu como todos possuem seu ângulo pessoal a respeito de tudo dizendo que o Arquétipo passa através das camadas, e Jung afirmou que o arquétipo é tanto coletivo quanto individual. Poderia parecer que os ângulos, ou arquétipos, são tudo, mas, ao mesmo tempo, é a forma que individualmente vemos qualquer coisa que define sua realidade pessoal para nós, ou o ângulo do qual pessoalmente percebemos essa coisa. É por essa razão que Jung diz: "o arquétipo (...) é
alterado ao tornar-se consciente e ao ser percebido, e obtém sua cor a partir da consciência individual na qual por acaso aparece."
O Tarô é um livro mágico ilustrado que apresenta 78 ângulos pelos quais as pessoas percebem Um Grande Todo Indivisível. O poder do Tarô repousa em sua ampla aplicação a esse princípio universal. As interpretações, correspondências e sistemas de Tarô a seguir representam, de certa forma, tantos ângulos de um Deus, ou de uma vida de Tudo que Existe. E, como afirma Jung, acreditamos coletivamente, se não pessoalmente, que esses ângulos "são mais ou
menos os mesmos em todos os lugares..:' Veremos as semelhanças e as diferenças em várias interpretações arquetípicas. Quando as interpretações de fato parecem não concordar, é porque cada autor aborda o anjo de um ângulo ligeiramente diferente.
Ao trabalhar com várias interpretações, entenderemos, por fim, as muitas camadas de sentido que residem no simbolismo arquetípico mas, primeiro, é provavelmente apropriado chegar a um
consenso básico sobre terminologia porque o Tarô possui uma linguagem própria.

As Cartas da Realeza






As Cartas da Realeza são figuras de 16 tipos de personalidades diferentes. Você poderá erguntar por que 16 tipos em vez de 10 ou 20, ou qualquer outro número? Por que especificamente 16?
Parece que, os criadores do Tarô, uma vez mais, quem quer que tenham sido, sabiam exatamente o que estavam fazendo. Entre 1913 e 1917, C.G. Jung escreveu o agora famoso livro, Tipos psicológicos, cuja primeira publicação ocorreu em 1923. Nesse livro, Jung descreve oito tipos de personalidades diferentes. Mais tarde, Katharine Briggs e Isabel Myers ampliaram a teoria original dos oito tipos de personalidade de Jung para dezesseis. Briggs e Myers planejaram um teste, ou indicador de tipo, agora chamado de Indicador de Tipo Myers-Briggs (ITMB), que é tão fantasticamente preciso que hoje é considerado por muitos como o instrumento mais exato disponível para verificar o tipo de personalidade, e é usado em empresas, universidades e centros de consulta em todo mundo. O ITMB baseia-se em dezesseis tipos de personalidade de
acordo com as quatro funções junguianas: sensação, emoção, pensamento e intuição, e são esses dezesseis tipos de personalidade arquétipa que as Cartas da Realeza representam. Embora, tanto quanto sabemos, Jung e Myers-Briggs não estivessem de forma alguma ligados à Ordem Hermética da Aurora Dourada, que no começo do século XX também descreveu as dezesseis Cartas da Realeza, as descrições da Aurora Dourada correspondem, com uma precisão sobrenatural, às personalidades estabelecidas pelo ITMB.

Os Arcanos




Arcanos Maiores


Os Arcanos Maiores consistem de 22 cartas que representam os 22 arcquétipos maiores; daí, sua raiz etimológica com as palavras arcanos e arcanjos. Eles são chamados de Maiores porque são os arquétipos que estão contidos no inconsciente coletivo da humanidade e de toda a vida e, portanto, são universais no conteúdo em vez de individuais.


Arcanos Menores

Os Arcanos Menores totalizam 40 cartas que mostram as várias maneiras como os 22 arquétipos dos Arcanos Maiores são experimentados na vida cotidiana. C.G. Jung, o pai da psicologia
humanista, acreditava que os arquétipos tendiam à manifestação (Keith Thompson, Anjos e extraterrestres).
Sendo assim, pode-se afirmar que os Arcanos Menores são os Maiores se manifestando no plano físico, ou que a consciência universal está se demonstrando na consciência individual.